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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Derrubando a farsa dos primeiros Papas com a Patrística


A Igreja Católica tem uma 
lista oficial com todos os papas da história, inclusive com a data em que cada um começou a reinar. Os catoleigos geralmente costumam jogar essa lista super confiável na cara dos protestantes para “provar” que a Igreja Católica Romana não foi criada por Constantino. A bem da verdade, ela não foi criada por Constantino, realmente. Dizer que Constantino fundou a ICAR é fazer uma enorme concessão aos papistas, pois a ICAR é uma construção bem posterior a Constantino. Nos primeiros séculos, a Igreja não era “Católica Apostólica Romana”, mas simplesmente “católica”, isto é, universal, em oposição a particular (romana).

A Igreja apenas tinha bispos romanos em Roma, assim como todas as outras igrejas católicas da época, que também tinham seus próprios bispos. Inclusive o próprio nome “papa” não tinha nenhuma relação específica com o bispo romano em particular. Durante os dois primeiros séculos, nenhum bispo (nem o de Roma) era chamado de “papa”. A partir do terceiro, há a primeira menção ao “papa”:

“Logo, depois de dizer algumas coisas sobre todas as heresias, acrescenta: Eu recebi esta regra e este modelo de nosso bem-aventurado papa Heraclas[1]

Só tem um probleminha: esse “papa Heraclas” nunca foi bispo de Roma! Ele era bispo de Alexandria! E naquela mesma época o título “papa” era dado a Cipriano, o bispo de Cartago e arquirival do bispo romano da época, Estêvão, a quem chamou de “amigo de hereges e inimigo dos cristãos”[2], e que não tinha a mesma honra de ser chamado de “papa”! Só mais tarde é que o bispo romano seria chamado de “papa”, como os demais bispos da época.

Mas vamos desconsiderar esse “detalhe”, assim como o fato de três papas disputarem o poder numa mesma época com todos se excomungando mutuamente, e sem falar dos vários antipapas. Vamos falar de coisa boa e tratar exclusivamente da lista oficial de bispos de Roma, para ver se ela tem fundamento histórico consistente.

Em Inácio, Clemente e Hermas

Ironicamente, as primeiras evidências históricas que temos parecem indicar que nem mesmo havia bispo romano no primeiro século até meados do segundo. As cartas de Inácio (68-107) são uma prova viva disso. Em todas elas Inácio fazia questão de mencionar o bispo da região a qual ele escrevia, e fazia isso muitas vezes. Mas justamente na carta à igreja de Roma, que supostamente teria um dos bispos mais importantes no governo, ele não o menciona sequer uma única vez!

-O bispo de Éfeso é citado por ele na Carta aos Efésios treze vezes: 1:3 (duas vezes); 2:1; 2:2; 3:2; 4:1 (duas vezes); 5:1; 5:2 (duas vezes); 6:1 (duas vezes); 20:2.
-O bispo de Esmirna é citado por ele na Carta aos Erminiotas nove vezes: 8:1 (três vezes); 8:2 (duas vezes); 9:1 (três vezes); 12:2.
-O bispo de Filadélfia é citado por ele na Carta aos Filadelfienses oito vezes: 1:1; 3:2; 4:1; 7:1; 7:2; 8:1; 10:2; e mais uma vez na saudação.
-O bispo de Magnésia é citado por ele na Carta aos Magnésios doze vezes: 2:1 (duas vezes); 3:1 (duas vezes); 3:2; 4:1; 6:1; 6:2; 7:1; 13:1; 13:2; 15:1.
-O bispo de Trália é citado por ele na Carta aos Tralianos nove vezes: 1:1; 2:1; 2:2; 3:1; 3:2; 7:1; 7:2; 12:2; 13:2.

Como vemos, ele costumava citar muitas vezes os bispos locais de cada cidade para quem ele escrevia, dizendo que os membros daquela igreja lhe deviam submissão e reconhecendo a autoridade daquele bispo local. Isso aconteceu diversas vezes em todas as epístolas que Inácio escreveu às outras igrejas, mas quando escreve aos romanos, que teoricamente teriam o maior de todos os bispos, o Sumo Pontífice, o bispo dos bispos, o bispo universal, o chefe de toda a Igreja apostólica... ele não o menciona nem uma única vez em toda a carta!

A palavra “bispo” aparece duas vezes na epístola dele aos romanos, mas nunca para se referir ao próprio bispo de Roma. Em 2:2 ela é uma referência ao bispo da Síria, que era ele próprio, e novamente em 9:1 ela se refere a ele mesmo, falando de sua igreja local, onde humildemente diz que, “em meu lugar, tem somente Deus por pastor”[3]. De duas, uma: ou o bispo de Roma era completamente irrelevante e de uma insignificância singular, ou então não existia bispo de Roma naquela época. De um jeito ou de outro, é um golpe de morte na pretensa supremacia do bispo romano (se é que ele existia!).

A outra evidência antiga de que não havia bispo romano no primeiro até meados do segundo século é a antiga obra chamada “O Pastor de Hermas”, composta na metade do segundo século. Hermas (70-155) era um cristão da comunidade de Roma e irmão do bispo romano Pio I. Quando o anjo lhe pede para ler seu livro para as lideranças que dirigiam a igreja de Roma, somente presbíteros são mencionados, e no plural:

“Tu o lerás para esta cidade, na presença dos presbíteros que dirigem a Igreja”[4]

Tudo indica que a igreja de Roma em seus primórdios era governada por um coletivo de presbíteros, sem uma liderança central de um bispo em particular. Na própria carta de Clemente aos Coríntios (95 d.C) ele não se identifica como “bispo” (e muito menos como “papa”). É por isso que muitos historiadores católicos e protestantes têm concordado que não havia a figura de um bispo romano central nos primeiros 150 anos de Igreja. O renomado historiador católico Paul Johnson, por exemplo, escreveu:

“Com efeito, provavelmente o primeiro bispo romano, em algum sentido significativo, foi Sotero (166-174)”[5]

John O'Malley, por sua vez, declara:

“Roma era uma constelação de igrejas domésticas, independentes umas das outras, cada uma das quais era livremente governada por um ancião. As comunidades, portanto, basicamente seguiam o padrão das sinagogas judaicas das quais se desenvolveram”[6]

Se isso é verdade, então toda a fábula romana em cima dos seus primeiros “papas” cai por inteiro, tal como em um efeito dominó. Você tira a base, e todo o sistema despenca sem precisar fazer esforço.

Em Irineu e em Tertuliano

É só a partir de Irineu (130-202) que vemos a primeira lista de bispos de Roma. Ela é muito parecida com a lista fornecida hoje pelos apologistas católicos, com exceção de um detalhe que é a coisa mais fundamental de todas: para Irineu, Lino foi o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro! Ele escreve:

“Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente”[7]

Note que Irineu não fala de Pedro em particular, mas “dos apóstolos”, se referindo a Paulo e a Pedro. Uma vez que nenhum católico coloca Paulo na lista de “papas”, é óbvio que ele não estava falando de bispado aqui, na parte que se refere à fundação da igreja de Roma. Logicamente, portanto, o primeiro bispo de Roma na consideração de Irineu é Lino. Os apóstolos não eram bispos de Roma antes de Lino, mas apenas tiveram o papel de “fundar” a igreja, isto é, de estabelecer suas bases.

Note ainda que, para Irineu, Lino se tornou bispo romano enquanto Pedro e Paulo ainda estavam vivos, pois eles que teriam passado o episcopado a Lino. Isso se difere gritantemente da teologia católica, onde um papa só substitui outro depois que o outro morre (a não ser que renuncie, o que não é mencionado por Irineu em parte alguma). Após a morte do papa, os cardeais se reúnem para decidir quem vai substituí-lo. Contudo, na descrição de Irineu, os próprios apóstolos é que transmitiram o episcopado a Lino, o que obviamente implica que eles ainda estavam vivos por esta ocasião.

Mas por que Irineu cria uma lista de bispos, se no início a igreja de Roma era governada por um coletivo de presbíteros? Há muitas causas possíveis. Pode ser que ele estivesse honestamente enganado (por alguém). É possível que ele tenha escolhido alguns dos presbíteros romanos para estabelecer uma sucessão como “bispos”, a fim de combater a heresia gnóstica com mais credibilidade. E é possível também que ele tenha simplesmente inventado a lista para se adaptar às demais comunidades cristãs em geral (que tinham sua própria sucessão de bispos).

Vale ressaltar que Irineu era bispo de Lyon, que dependia do metropólito de Roma. Ou seja, Irineu estava sujeito ao bispo de Roma por jurisdição, e por isso não seria muito improvável que ele estabelecesse uma linha sucessiva para Roma assim como as demais igrejas possuíam.

Por bem ou por mal, o fato é que Irineu passa a ser uma figura crucial no surgimento do mito da sucessão episcopal romana, e sua muita credibilidade serviu para que muitos bispos depois dele tivessem a mesma opinião. Outrossim, fica evidente que ele nega que Pedro tenha sido o primeiro bispo de Roma, uma vez que ele menciona Lino como sendo o primeiro, e coloca Pedro ao lado de Paulo, não como “papa”, mas como um mero pregador, que estabeleceu as bases doutrinárias daquela comunidade local antes dela ter seu primeiro “bispo”.

Que a lista de Irineu era defeituosa, fica evidente a partir da leitura de seu contemporâneo Tertuliano (160-220), que viveu numa época em que a igreja de Roma já tinha bispos. Tertuliano não passou uma lista de sucessão, mas cita uma informação importante ao dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro:

“A igreja de Esmirna registra que Policarpo foi posto ali por João, assim como a igreja de Roma diz que Clemente foi ordenado de modo semelhante por Pedro”[8]

Primeiro, é necessário esclarecer que o fato de Tertuliano dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro não implica que ele cria que Pedro fosse o primeiro bispo de Roma, porque no mesmo contexto ele diz que Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna por João, e João era bispo de Éfeso e não de Esmirna. Da mesma forma que Policarpo foi o primeiro bispo de Esmirna, Clemente foi o primeiro bispo de Roma (ao menos na visão de Tertuliano). Se assim não fosse, o “assim como” do verso ficaria sem sentido, pois estaria em um sentido distinto na comparação.

Note ainda que Tertuliano não estava dando uma opinião pessoal, mas estava citando aquilo que a igreja de Roma de sua época dizia naquela altura. Para a igreja de Roma de finais do século II, Clemente havia sido o primeiro bispo de Roma, ordenado por Pedro da mesma forma que Irineu havia dito que Paulo e Pedro haviam ordenado Lino. Os dados simplesmente não batem. Na visão católica atual, Pedro morreu na década de 60 d.C, e Clemente só foi ordenado bispo em 88 d.C, mais de vinte anos depois. No entanto, Tertuliano deixa implícito que Pedro estava vivo quando ordenou Clemente como bispo, porque ninguém ordena depois de morto.

Para piorar ainda mais as coisas, Tertuliano não diz que Pedro ordenou Lino, mas sim Clemente, como já vimos. Mas quem sucedeu Pedro na teologia católica foi Lino, e Clemente só veio depois de Lino. Tertuliano simplesmente ignora Lino, como se não existisse! A partir destes dados totalmente conflitantes do final do segundo século d.C podemos perceber como a lista católica é um remendo tardio e posterior, feito para mascarar a fragilidade do argumento.

Em Eusébio

Eusébio (265-339), o historiador eclesiástico do século III, foi fortemente influenciado por Irineu, razão pela qual as listas conferem. No entanto, mais uma vez, falta a presença de Pedro como o primeiro bispo de Roma. Para Eusébio, Lino foi o primeiro bispo de Roma, fato este que ocorreu após o martírio de Pedro e Paulo:

“Depois do martírio de Paulo e de Pedro, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta”[9]

Observe ainda que, para Eusébio, Lino só foi designado “primeiro bispo de Roma” depois da morte de Paulo e Pedro, o que contradiz expressamente Irineu, que, como vimos, cria que Lino foi ordenado bispo de Roma enquanto Paulo e Pedro ainda viviam.
Ainda na visão de Eusébio, Clemente havia sido o terceiro (e não o quarto) bispo de Roma:

“Paulo também atesta que Clemente - instituído terceiro bispo da Igreja de Roma - foi seu colaborador e companheiro de luta”[10]

Portanto, para Eusébio:
 Lino
 Anacleto
 Clemente

Novamente, é Lino que é considerado o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro. Não é sem razão que o historiador Peter De Rosa afirmou:

“Pedro só chegou a Roma nos últimos anos da sua vida, e a sua função de bispo não passa de uma lenda. Prova disso é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal”[11]

Não vou me alongar mais sobre Eusébio porque já escrevi muito sobre ele em meu artigo "Pedro nunca foi bispo de Roma", que conta com muitas outras refutações, especialmente com base na História Eclesiástica deste bispo de Cesareia.

No Catálogo Liberiano

O Catálogo Liberiano (354) é o primeiro documento da história da Igreja que coloca Pedro como sendo o primeiro bispo de Roma (isso quase trezentos anos depois da morte de Pedro!). No entanto, o volume gigantesco de contradições com os outros documentos da época e inclusive com a própria lista oficial de papas oferecida hoje pela Igreja Romana deveria ser o bastante para que qualquer católico tivesse vergonha em ter a cara de pau de citar o Catálogo Liberiano como qualquer tipo de “prova” ou evidência histórica.
O documento é tão risível que cita dois Anacletos, ou seja, duplica o indivíduo!
Ele diz:

Pedro - 25 anos, 1 mês, 9 dias. Ele esteve nos tempos de Tibério César e Caio e Tibério Cláudio e Nero, junto do consulado de Minucius e Longinus [30 d.C] ao de Nero e Verus [AD 55]. No entanto, ele morreu com Paulo no 3º dia antes das calendas de julho, como o Imperador Nero sendo cônsul.

Lino - 12 anos, 4 meses, 12 dias. Ele esteve na época de Nero, do consulado de Saturnino e Scipio [56] ao de Capito e Rufus [67].

Clemente - 9 anos, 11 meses, 12 dias. Ele estave nos tempos de Galba e Vespasiano, do consulado de Tracalus e Italicus [68] ao de Vespasiano pela 6ª vez e Tito [76].

Cleto - 6 anos, 2 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Vespasiano e Tito e o início de Domiciano, do consulado de Vespasiano pela 8ª vez e Domiciano pela 5ª [77] ao de Domiciano pela 9ª vez e Rufus [83].

Anacleto - 12 anos, 10 meses e 3 dias. Ele estava no tempo de Domiciano, do consulado de Domiciano pela 10ª vez e Sabino [84] ao de Domiciano pela 17ª vez e Clemente [95].

Evaristo - 13 anos e 7 meses, 2 dias. Ele estava nos últimos tempos de Domiciano, e de Nerva e Trajano, do consulado de Valente e Vero [96] ao de Gallus e Bradua [108].

Note que ele cita um suposto “Cleto” que sucede Clemente, e depois deste tal “Cleto” aparece seu irmão siamês, o “Anacleto”. Já na lista da Igreja Romana consta apenas o Anacleto como sucedendo diretamente a Clemente. Ou seja: o Catálogo Liberiano simplesmente inventou um sujeito que não existe! Que crédito devemos dar a um catálogo que comete um erro dos mais crassos e esdrúxulos, como esse? Se esse catálogo chega ao ponto de inventar um suposto Cleto que nunca existiu, que crédito ele tem para dizer sem sombra de dúvida que Pedro foi o primeiro bispo de Roma? A resposta óbvia é: nada.

Mas os problemas não param por aqui. George Edmundson discorreu sobre os outros erros grosseiros do tal catálogo:

"As mortes de São Pedro e São Paulo foram apresentadas como tendo ocorrido em 55 d.C. Clemente sucedeu Lino em 67 d.C e Anacleto, o verdadeiro sucessor de Lino, está duplicado e segue Clemente, primeiro como Cleto e então como Anacleto. A morte de Clemente foi preservada como tendo ocorrido dezesseis anos antes de ele ter se tornado bispo de acordo com a data mais aceita que recebemos. E os erros não se restringiram aos pontificados do primeiro século. 

A fonte utilizada por Hipólito não é precisa sequer sobre o Papa Pio I que, nas palavras preservadas do Fragmento Muratori, ‘..viveu muito recentemente, em nosso próprio tempo’. Hegésipo e Irineu, ambos estando em Roma por algum tempo após a morte de Pio, apresentam a ordem de sucessão como sendo Pio, Aniceto, Sotero e Eleuterio. O Catálogo transforma Pio em sucessor de Aniceto ao invés de seu predecessor”[12]

E é com base em documentos fajutos desse tipo que os apologistas católicos fazem a festa em cima dos leigos em seus sites inescrupulosos...

Em Jerônimo e em Agostinho

Jerônimo (347-420), já no quinto século, quando a tese de que Pedro foi o primeiro bispo de Roma já estava popularizada, reconheceu que a igreja da época tinha divergências quanto a Clemente. Enquanto os orientais criam que Clemente havia sido o quarto bispo de Roma, os latinos achavam que ele era o segundo!

"Clemente, de quem o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses diz: ‘Com Clemente e outros de meus companheiros de trabalho, cujos nomes estão escritos no livro da vida’ (cf. Fl 4:3), o quarto bispo de Roma depois de Pedro, se de fato o segundo foi Lino e o terceiro Anacleto, embora a maioria dos latinos pensam que Clemente foi o segundo depois do apóstolo”[13]

Convenhamos: para não saber se o cara foi o segundo ou o quarto bispo – o que também altera a ordem dos demais – a lista de bispos nesta época não era muito diferente de um chutão na prova do ENEM. E para chutar o balde de uma vez, na lista de Agostinho (354-420) vemos o extraordinário: Clemente é o terceiro bispo de Roma![14] Sim, eles não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo... mas querem que você confie neles, obviamente!

Conclusão

Não há nada que seja mais fantasioso e questionável do que a lendária “lista de papas” oferecida pela Igreja Católica Romana. Em primeiro lugar, nenhum bispo romano dos primeiros séculos era propriamente um “papa” (no sentido romano atual do termo). Nos escritos do primeiro século até a metade do segundo, não há o menor indício da presença de um “bispo” de Roma. Ao contrário: Inácio, que costumava citar muito os bispos locais de cada igreja, ignora por completo o bispo de Roma na carta a Roma, e Hermas afirma explicitamente que havia uma pluralidade de presbíteros que presidiam a igreja de Roma, em vez de um único bispo no comando.

Quando a lenda dos bispos romanos do primeiro século começa a existir, só vemos contradições nas mais diversas listas fornecidas. Para Irineu, Paulo e Pedro ordenaram Lino como bispo de Roma enquanto ainda viviam. Para Eusébio, o primeiro bispo de Roma foi Lino, mas só foi ordenado depois que eles morreram. E para Tertuliano, Pedro na verdade ordenou Clemente para o episcopado! Para o Catálogo Liberiano, existia um tal de “Cleto” que supostamente antecedeu Anacleto e que ninguém ficou sabendo. Inventaram um bispo fantasma. Mataram Paulo e Pedro doze anos antes. E para piorar, não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo de Roma!

Mesmo com tantas contradições e divergências, o apologista católico fanático vai continuar batendo na tecla quebrada e insistindo que existe uma lista muito concreta e confiável de bispos romanos, que de forma bonitinha e organizada vai de Pedro até o papa Francisco. E mesmo que você prove com a História que crer nisso é como crer em Papai Noel, ele continuará insistindo. Afinal, ele é apologista católico. Não tem mais o que fazer.



[1]
 História Eclesiástica, Livro VII, 7:4.
[2] Epístola 74 de Cipriano.
[3] Inácio aos Romanos, 9:1.
[4] Visões 8.3.
[5] História do Cristianismo, p. 78.
[6] John O'Malley. A History of the PopesSheed & Ward, 2009, p. 11.
[7] Contra as Heresias, Livro III, 3, 2-3.
[8] Prescrição contra os Hereges, c. 32.
[9] História Eclesiástica, Livro III, 2:1.
[10] História Eclesiástica, Livro III, 4:9.
[11] Peter De Rosa, “Vicars of Christ”.
[12] George Edmundson. The Church in Rome in the First Century: Lecture VII, 1913.
[13] Dos Homens Ilustres, c. 15.
[14] Agostinho, Epístola 53.

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