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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Derrubando a farsa dos primeiros Papas com a Patrística


A Igreja Católica tem uma 
lista oficial com todos os papas da história, inclusive com a data em que cada um começou a reinar. Os catoleigos geralmente costumam jogar essa lista super confiável na cara dos protestantes para “provar” que a Igreja Católica Romana não foi criada por Constantino. A bem da verdade, ela não foi criada por Constantino, realmente. Dizer que Constantino fundou a ICAR é fazer uma enorme concessão aos papistas, pois a ICAR é uma construção bem posterior a Constantino. Nos primeiros séculos, a Igreja não era “Católica Apostólica Romana”, mas simplesmente “católica”, isto é, universal, em oposição a particular (romana).

A Igreja apenas tinha bispos romanos em Roma, assim como todas as outras igrejas católicas da época, que também tinham seus próprios bispos. Inclusive o próprio nome “papa” não tinha nenhuma relação específica com o bispo romano em particular. Durante os dois primeiros séculos, nenhum bispo (nem o de Roma) era chamado de “papa”. A partir do terceiro, há a primeira menção ao “papa”:

“Logo, depois de dizer algumas coisas sobre todas as heresias, acrescenta: Eu recebi esta regra e este modelo de nosso bem-aventurado papa Heraclas[1]

Só tem um probleminha: esse “papa Heraclas” nunca foi bispo de Roma! Ele era bispo de Alexandria! E naquela mesma época o título “papa” era dado a Cipriano, o bispo de Cartago e arquirival do bispo romano da época, Estêvão, a quem chamou de “amigo de hereges e inimigo dos cristãos”[2], e que não tinha a mesma honra de ser chamado de “papa”! Só mais tarde é que o bispo romano seria chamado de “papa”, como os demais bispos da época.

Mas vamos desconsiderar esse “detalhe”, assim como o fato de três papas disputarem o poder numa mesma época com todos se excomungando mutuamente, e sem falar dos vários antipapas. Vamos falar de coisa boa e tratar exclusivamente da lista oficial de bispos de Roma, para ver se ela tem fundamento histórico consistente.

Em Inácio, Clemente e Hermas

Ironicamente, as primeiras evidências históricas que temos parecem indicar que nem mesmo havia bispo romano no primeiro século até meados do segundo. As cartas de Inácio (68-107) são uma prova viva disso. Em todas elas Inácio fazia questão de mencionar o bispo da região a qual ele escrevia, e fazia isso muitas vezes. Mas justamente na carta à igreja de Roma, que supostamente teria um dos bispos mais importantes no governo, ele não o menciona sequer uma única vez!

-O bispo de Éfeso é citado por ele na Carta aos Efésios treze vezes: 1:3 (duas vezes); 2:1; 2:2; 3:2; 4:1 (duas vezes); 5:1; 5:2 (duas vezes); 6:1 (duas vezes); 20:2.
-O bispo de Esmirna é citado por ele na Carta aos Erminiotas nove vezes: 8:1 (três vezes); 8:2 (duas vezes); 9:1 (três vezes); 12:2.
-O bispo de Filadélfia é citado por ele na Carta aos Filadelfienses oito vezes: 1:1; 3:2; 4:1; 7:1; 7:2; 8:1; 10:2; e mais uma vez na saudação.
-O bispo de Magnésia é citado por ele na Carta aos Magnésios doze vezes: 2:1 (duas vezes); 3:1 (duas vezes); 3:2; 4:1; 6:1; 6:2; 7:1; 13:1; 13:2; 15:1.
-O bispo de Trália é citado por ele na Carta aos Tralianos nove vezes: 1:1; 2:1; 2:2; 3:1; 3:2; 7:1; 7:2; 12:2; 13:2.

Como vemos, ele costumava citar muitas vezes os bispos locais de cada cidade para quem ele escrevia, dizendo que os membros daquela igreja lhe deviam submissão e reconhecendo a autoridade daquele bispo local. Isso aconteceu diversas vezes em todas as epístolas que Inácio escreveu às outras igrejas, mas quando escreve aos romanos, que teoricamente teriam o maior de todos os bispos, o Sumo Pontífice, o bispo dos bispos, o bispo universal, o chefe de toda a Igreja apostólica... ele não o menciona nem uma única vez em toda a carta!

A palavra “bispo” aparece duas vezes na epístola dele aos romanos, mas nunca para se referir ao próprio bispo de Roma. Em 2:2 ela é uma referência ao bispo da Síria, que era ele próprio, e novamente em 9:1 ela se refere a ele mesmo, falando de sua igreja local, onde humildemente diz que, “em meu lugar, tem somente Deus por pastor”[3]. De duas, uma: ou o bispo de Roma era completamente irrelevante e de uma insignificância singular, ou então não existia bispo de Roma naquela época. De um jeito ou de outro, é um golpe de morte na pretensa supremacia do bispo romano (se é que ele existia!).

A outra evidência antiga de que não havia bispo romano no primeiro até meados do segundo século é a antiga obra chamada “O Pastor de Hermas”, composta na metade do segundo século. Hermas (70-155) era um cristão da comunidade de Roma e irmão do bispo romano Pio I. Quando o anjo lhe pede para ler seu livro para as lideranças que dirigiam a igreja de Roma, somente presbíteros são mencionados, e no plural:

“Tu o lerás para esta cidade, na presença dos presbíteros que dirigem a Igreja”[4]

Tudo indica que a igreja de Roma em seus primórdios era governada por um coletivo de presbíteros, sem uma liderança central de um bispo em particular. Na própria carta de Clemente aos Coríntios (95 d.C) ele não se identifica como “bispo” (e muito menos como “papa”). É por isso que muitos historiadores católicos e protestantes têm concordado que não havia a figura de um bispo romano central nos primeiros 150 anos de Igreja. O renomado historiador católico Paul Johnson, por exemplo, escreveu:

“Com efeito, provavelmente o primeiro bispo romano, em algum sentido significativo, foi Sotero (166-174)”[5]

John O'Malley, por sua vez, declara:

“Roma era uma constelação de igrejas domésticas, independentes umas das outras, cada uma das quais era livremente governada por um ancião. As comunidades, portanto, basicamente seguiam o padrão das sinagogas judaicas das quais se desenvolveram”[6]

Se isso é verdade, então toda a fábula romana em cima dos seus primeiros “papas” cai por inteiro, tal como em um efeito dominó. Você tira a base, e todo o sistema despenca sem precisar fazer esforço.

Em Irineu e em Tertuliano

É só a partir de Irineu (130-202) que vemos a primeira lista de bispos de Roma. Ela é muito parecida com a lista fornecida hoje pelos apologistas católicos, com exceção de um detalhe que é a coisa mais fundamental de todas: para Irineu, Lino foi o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro! Ele escreve:

“Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente”[7]

Note que Irineu não fala de Pedro em particular, mas “dos apóstolos”, se referindo a Paulo e a Pedro. Uma vez que nenhum católico coloca Paulo na lista de “papas”, é óbvio que ele não estava falando de bispado aqui, na parte que se refere à fundação da igreja de Roma. Logicamente, portanto, o primeiro bispo de Roma na consideração de Irineu é Lino. Os apóstolos não eram bispos de Roma antes de Lino, mas apenas tiveram o papel de “fundar” a igreja, isto é, de estabelecer suas bases.

Note ainda que, para Irineu, Lino se tornou bispo romano enquanto Pedro e Paulo ainda estavam vivos, pois eles que teriam passado o episcopado a Lino. Isso se difere gritantemente da teologia católica, onde um papa só substitui outro depois que o outro morre (a não ser que renuncie, o que não é mencionado por Irineu em parte alguma). Após a morte do papa, os cardeais se reúnem para decidir quem vai substituí-lo. Contudo, na descrição de Irineu, os próprios apóstolos é que transmitiram o episcopado a Lino, o que obviamente implica que eles ainda estavam vivos por esta ocasião.

Mas por que Irineu cria uma lista de bispos, se no início a igreja de Roma era governada por um coletivo de presbíteros? Há muitas causas possíveis. Pode ser que ele estivesse honestamente enganado (por alguém). É possível que ele tenha escolhido alguns dos presbíteros romanos para estabelecer uma sucessão como “bispos”, a fim de combater a heresia gnóstica com mais credibilidade. E é possível também que ele tenha simplesmente inventado a lista para se adaptar às demais comunidades cristãs em geral (que tinham sua própria sucessão de bispos).

Vale ressaltar que Irineu era bispo de Lyon, que dependia do metropólito de Roma. Ou seja, Irineu estava sujeito ao bispo de Roma por jurisdição, e por isso não seria muito improvável que ele estabelecesse uma linha sucessiva para Roma assim como as demais igrejas possuíam.

Por bem ou por mal, o fato é que Irineu passa a ser uma figura crucial no surgimento do mito da sucessão episcopal romana, e sua muita credibilidade serviu para que muitos bispos depois dele tivessem a mesma opinião. Outrossim, fica evidente que ele nega que Pedro tenha sido o primeiro bispo de Roma, uma vez que ele menciona Lino como sendo o primeiro, e coloca Pedro ao lado de Paulo, não como “papa”, mas como um mero pregador, que estabeleceu as bases doutrinárias daquela comunidade local antes dela ter seu primeiro “bispo”.

Que a lista de Irineu era defeituosa, fica evidente a partir da leitura de seu contemporâneo Tertuliano (160-220), que viveu numa época em que a igreja de Roma já tinha bispos. Tertuliano não passou uma lista de sucessão, mas cita uma informação importante ao dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro:

“A igreja de Esmirna registra que Policarpo foi posto ali por João, assim como a igreja de Roma diz que Clemente foi ordenado de modo semelhante por Pedro”[8]

Primeiro, é necessário esclarecer que o fato de Tertuliano dizer que Clemente foi ordenado bispo por Pedro não implica que ele cria que Pedro fosse o primeiro bispo de Roma, porque no mesmo contexto ele diz que Policarpo foi ordenado bispo de Esmirna por João, e João era bispo de Éfeso e não de Esmirna. Da mesma forma que Policarpo foi o primeiro bispo de Esmirna, Clemente foi o primeiro bispo de Roma (ao menos na visão de Tertuliano). Se assim não fosse, o “assim como” do verso ficaria sem sentido, pois estaria em um sentido distinto na comparação.

Note ainda que Tertuliano não estava dando uma opinião pessoal, mas estava citando aquilo que a igreja de Roma de sua época dizia naquela altura. Para a igreja de Roma de finais do século II, Clemente havia sido o primeiro bispo de Roma, ordenado por Pedro da mesma forma que Irineu havia dito que Paulo e Pedro haviam ordenado Lino. Os dados simplesmente não batem. Na visão católica atual, Pedro morreu na década de 60 d.C, e Clemente só foi ordenado bispo em 88 d.C, mais de vinte anos depois. No entanto, Tertuliano deixa implícito que Pedro estava vivo quando ordenou Clemente como bispo, porque ninguém ordena depois de morto.

Para piorar ainda mais as coisas, Tertuliano não diz que Pedro ordenou Lino, mas sim Clemente, como já vimos. Mas quem sucedeu Pedro na teologia católica foi Lino, e Clemente só veio depois de Lino. Tertuliano simplesmente ignora Lino, como se não existisse! A partir destes dados totalmente conflitantes do final do segundo século d.C podemos perceber como a lista católica é um remendo tardio e posterior, feito para mascarar a fragilidade do argumento.

Em Eusébio

Eusébio (265-339), o historiador eclesiástico do século III, foi fortemente influenciado por Irineu, razão pela qual as listas conferem. No entanto, mais uma vez, falta a presença de Pedro como o primeiro bispo de Roma. Para Eusébio, Lino foi o primeiro bispo de Roma, fato este que ocorreu após o martírio de Pedro e Paulo:

“Depois do martírio de Paulo e de Pedro, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta”[9]

Observe ainda que, para Eusébio, Lino só foi designado “primeiro bispo de Roma” depois da morte de Paulo e Pedro, o que contradiz expressamente Irineu, que, como vimos, cria que Lino foi ordenado bispo de Roma enquanto Paulo e Pedro ainda viviam.
Ainda na visão de Eusébio, Clemente havia sido o terceiro (e não o quarto) bispo de Roma:

“Paulo também atesta que Clemente - instituído terceiro bispo da Igreja de Roma - foi seu colaborador e companheiro de luta”[10]

Portanto, para Eusébio:
 Lino
 Anacleto
 Clemente

Novamente, é Lino que é considerado o primeiro bispo de Roma, em vez de Pedro. Não é sem razão que o historiador Peter De Rosa afirmou:

“Pedro só chegou a Roma nos últimos anos da sua vida, e a sua função de bispo não passa de uma lenda. Prova disso é que seu nome não aparece nas listas mais antigas da sucessão episcopal”[11]

Não vou me alongar mais sobre Eusébio porque já escrevi muito sobre ele em meu artigo "Pedro nunca foi bispo de Roma", que conta com muitas outras refutações, especialmente com base na História Eclesiástica deste bispo de Cesareia.

No Catálogo Liberiano

O Catálogo Liberiano (354) é o primeiro documento da história da Igreja que coloca Pedro como sendo o primeiro bispo de Roma (isso quase trezentos anos depois da morte de Pedro!). No entanto, o volume gigantesco de contradições com os outros documentos da época e inclusive com a própria lista oficial de papas oferecida hoje pela Igreja Romana deveria ser o bastante para que qualquer católico tivesse vergonha em ter a cara de pau de citar o Catálogo Liberiano como qualquer tipo de “prova” ou evidência histórica.
O documento é tão risível que cita dois Anacletos, ou seja, duplica o indivíduo!
Ele diz:

Pedro - 25 anos, 1 mês, 9 dias. Ele esteve nos tempos de Tibério César e Caio e Tibério Cláudio e Nero, junto do consulado de Minucius e Longinus [30 d.C] ao de Nero e Verus [AD 55]. No entanto, ele morreu com Paulo no 3º dia antes das calendas de julho, como o Imperador Nero sendo cônsul.

Lino - 12 anos, 4 meses, 12 dias. Ele esteve na época de Nero, do consulado de Saturnino e Scipio [56] ao de Capito e Rufus [67].

Clemente - 9 anos, 11 meses, 12 dias. Ele estave nos tempos de Galba e Vespasiano, do consulado de Tracalus e Italicus [68] ao de Vespasiano pela 6ª vez e Tito [76].

Cleto - 6 anos, 2 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Vespasiano e Tito e o início de Domiciano, do consulado de Vespasiano pela 8ª vez e Domiciano pela 5ª [77] ao de Domiciano pela 9ª vez e Rufus [83].

Anacleto - 12 anos, 10 meses e 3 dias. Ele estava no tempo de Domiciano, do consulado de Domiciano pela 10ª vez e Sabino [84] ao de Domiciano pela 17ª vez e Clemente [95].

Evaristo - 13 anos e 7 meses, 2 dias. Ele estava nos últimos tempos de Domiciano, e de Nerva e Trajano, do consulado de Valente e Vero [96] ao de Gallus e Bradua [108].

Note que ele cita um suposto “Cleto” que sucede Clemente, e depois deste tal “Cleto” aparece seu irmão siamês, o “Anacleto”. Já na lista da Igreja Romana consta apenas o Anacleto como sucedendo diretamente a Clemente. Ou seja: o Catálogo Liberiano simplesmente inventou um sujeito que não existe! Que crédito devemos dar a um catálogo que comete um erro dos mais crassos e esdrúxulos, como esse? Se esse catálogo chega ao ponto de inventar um suposto Cleto que nunca existiu, que crédito ele tem para dizer sem sombra de dúvida que Pedro foi o primeiro bispo de Roma? A resposta óbvia é: nada.

Mas os problemas não param por aqui. George Edmundson discorreu sobre os outros erros grosseiros do tal catálogo:

"As mortes de São Pedro e São Paulo foram apresentadas como tendo ocorrido em 55 d.C. Clemente sucedeu Lino em 67 d.C e Anacleto, o verdadeiro sucessor de Lino, está duplicado e segue Clemente, primeiro como Cleto e então como Anacleto. A morte de Clemente foi preservada como tendo ocorrido dezesseis anos antes de ele ter se tornado bispo de acordo com a data mais aceita que recebemos. E os erros não se restringiram aos pontificados do primeiro século. 

A fonte utilizada por Hipólito não é precisa sequer sobre o Papa Pio I que, nas palavras preservadas do Fragmento Muratori, ‘..viveu muito recentemente, em nosso próprio tempo’. Hegésipo e Irineu, ambos estando em Roma por algum tempo após a morte de Pio, apresentam a ordem de sucessão como sendo Pio, Aniceto, Sotero e Eleuterio. O Catálogo transforma Pio em sucessor de Aniceto ao invés de seu predecessor”[12]

E é com base em documentos fajutos desse tipo que os apologistas católicos fazem a festa em cima dos leigos em seus sites inescrupulosos...

Em Jerônimo e em Agostinho

Jerônimo (347-420), já no quinto século, quando a tese de que Pedro foi o primeiro bispo de Roma já estava popularizada, reconheceu que a igreja da época tinha divergências quanto a Clemente. Enquanto os orientais criam que Clemente havia sido o quarto bispo de Roma, os latinos achavam que ele era o segundo!

"Clemente, de quem o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses diz: ‘Com Clemente e outros de meus companheiros de trabalho, cujos nomes estão escritos no livro da vida’ (cf. Fl 4:3), o quarto bispo de Roma depois de Pedro, se de fato o segundo foi Lino e o terceiro Anacleto, embora a maioria dos latinos pensam que Clemente foi o segundo depois do apóstolo”[13]

Convenhamos: para não saber se o cara foi o segundo ou o quarto bispo – o que também altera a ordem dos demais – a lista de bispos nesta época não era muito diferente de um chutão na prova do ENEM. E para chutar o balde de uma vez, na lista de Agostinho (354-420) vemos o extraordinário: Clemente é o terceiro bispo de Roma![14] Sim, eles não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo... mas querem que você confie neles, obviamente!

Conclusão

Não há nada que seja mais fantasioso e questionável do que a lendária “lista de papas” oferecida pela Igreja Católica Romana. Em primeiro lugar, nenhum bispo romano dos primeiros séculos era propriamente um “papa” (no sentido romano atual do termo). Nos escritos do primeiro século até a metade do segundo, não há o menor indício da presença de um “bispo” de Roma. Ao contrário: Inácio, que costumava citar muito os bispos locais de cada igreja, ignora por completo o bispo de Roma na carta a Roma, e Hermas afirma explicitamente que havia uma pluralidade de presbíteros que presidiam a igreja de Roma, em vez de um único bispo no comando.

Quando a lenda dos bispos romanos do primeiro século começa a existir, só vemos contradições nas mais diversas listas fornecidas. Para Irineu, Paulo e Pedro ordenaram Lino como bispo de Roma enquanto ainda viviam. Para Eusébio, o primeiro bispo de Roma foi Lino, mas só foi ordenado depois que eles morreram. E para Tertuliano, Pedro na verdade ordenou Clemente para o episcopado! Para o Catálogo Liberiano, existia um tal de “Cleto” que supostamente antecedeu Anacleto e que ninguém ficou sabendo. Inventaram um bispo fantasma. Mataram Paulo e Pedro doze anos antes. E para piorar, não sabiam se Clemente era o segundo, o terceiro ou o quarto bispo de Roma!

Mesmo com tantas contradições e divergências, o apologista católico fanático vai continuar batendo na tecla quebrada e insistindo que existe uma lista muito concreta e confiável de bispos romanos, que de forma bonitinha e organizada vai de Pedro até o papa Francisco. E mesmo que você prove com a História que crer nisso é como crer em Papai Noel, ele continuará insistindo. Afinal, ele é apologista católico. Não tem mais o que fazer.



[1]
 História Eclesiástica, Livro VII, 7:4.
[2] Epístola 74 de Cipriano.
[3] Inácio aos Romanos, 9:1.
[4] Visões 8.3.
[5] História do Cristianismo, p. 78.
[6] John O'Malley. A History of the PopesSheed & Ward, 2009, p. 11.
[7] Contra as Heresias, Livro III, 3, 2-3.
[8] Prescrição contra os Hereges, c. 32.
[9] História Eclesiástica, Livro III, 2:1.
[10] História Eclesiástica, Livro III, 4:9.
[11] Peter De Rosa, “Vicars of Christ”.
[12] George Edmundson. The Church in Rome in the First Century: Lecture VII, 1913.
[13] Dos Homens Ilustres, c. 15.
[14] Agostinho, Epístola 53.

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VEJA TAMBÉM..

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sábado, 17 de outubro de 2015

Os livros apócrifos da religião de Roma

Jerônimo rejeitou vigorosamente a canonicidade dos apócrifos. Nos prefácios destes livros na Vulgata, ele escreveu:

"E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) MAS NÃO OS RECEBE ENTRE AS ESCRITURAS CANÔNICAS, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas NÃO PARA ESTABELECER AS DOUTRINAS DA IGREJA"[1]

"Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim, de forma que nós podemos garantir que o que não é encontrado em nossa lista DEVE SER COLOCADO ENTRE OS ESCRITOS APÓCRIFOS. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque [Eclesiástico], e Judite e Tobias e o Pastor [supõe-se que seja o Pastor de Hermas], NÃO FAZEM PARTE DO CÂNON. O primeiro livro dos Macabeus eu não encontrei em hebraico, o segundo é grego, como pode ser provado de seu próprio estilo"[2]

"Para os católicos, os apócrifos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos, quer do N.T, quer do V.T, o mais das vezes atribuídos a personagens bíblicos, MAS NÃO INSPIRADOS, COMO OS LIVROS CANÔNICOS, E NEM ESCRITOS POR PESSOAS FIDEDIGNAS NEM DE DOUTRINA SEGURA"[3]

“Que [Paula] evite todos os escritos apócrifos, e se ela for levada a lê-los não pela verdade das doutrinas que contêm mas por respeito aos milagres contidos neles, que ela entenda que não são escritos por aqueles a quem são atribuídos, que muitos elementos defeituosos se introduziram neles, e que requer uma perícia infinita achar ouro no meio da sujeira”[4]

FONTES:
[1] Prefácio dos Livros de Salomão.
[2] Prologus Galeatus.
[3] Introdução Geral a Vulgata Latina, p. 9.
[4] Epístola 107:12 - Nicene and Post-Nicene Fathers, 2nd Series, vol. 6, p. 194.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Provado pelos originais em Aramaico que Pedro não é a pedra

 Cephas: a cartada final dos apologistas católicos não sustenta a alegação de Pedro ser a Pedra basal da Igreja, muito menos o papado.


Ao ser demonstrado que no texto grego, inspirado pelo Espirito Santo, o verso de Mateus 16 faz distinção entre Pedro e a Pedra basal da Igreja, os apologistas católicos lançam então sua ultima e derradeira cartada na mesa, o Cephas. 

Obviamente tanto protestantes como católicos enfocam esta passagem com o firme propósito de não ceder um milímetro em sua posição e, se for possível, destruir a do outro. Contudo ao se analisar honestamente o texto grego, vemos um trocadilho onde em grego Pedro se diz Petros e rocha se diz petra. Portanto, em Mateus 16:18, 

pelo texto grego, vemos que Cristo não se referiu a Pedro como a PEDRA de edificação da igreja, mas a própria confissão dele, que o faria parte importante desta edificação tendo a Cristo como base, fundamento e arquiteto.
Todavia argumenta-se que Cristo teria dito tais palavras em aramaico, e neste idioma não existe distinção entre Pedro (kepha) e pedra (kepha). Logo, Cristo teria chamado a Pedro de ROCHA, que é o significado de Pedro em aramaico, e que este seria a pedra(Kepha) ou Cephas, a pedra basal da Igreja.

Mas argumentar isto é ignorar  que o grego faz a distinção entre um e outro, ainda que Cristo estivesse falando em aramaico e usado tais termos. O grego é uma língua mais rica em sentidos e expressões, enquanto que o aramaico tem poucos recursos e é o idioma mais pobre das línguas semíticas. Ou seja, Cristo usou o mesmo termo para ambas as afirmações, pois no aramaico não havia outro termo a que se recorrer.

Nem me será necessário entrar em uma exposição exegética acerca disto, o Lucas Banzoli (aqui) já publicou um ótimo estudo a respeito deste tema, expondo eficientemente o significado e a distinção dos termos tanto no aramaico quanto no grego com sua clara distinção de gênero e a aplicação a que eles se referem.

Mas o que faço aqui é apenas um reforço e observação quanto ao termo aramaico Cephas que supostamente teria sido empregado por Jesus no texto de Mateus 16. 

Porque Cristo teria chamado Pedro de Cephas, uma Rocha?

A observação importante que faço é que realmente o aramaico assemelha-se fortemente ao hebraico. E no hebraico o termo Cephas, é "SÛR", lê-se SUL no caso de ROCHEDO e SELA, em se tratando de ROCHA.

Em hebraico, ROCHA além de outros usos, também é usada muitas vezes para retratar o sustento e defesa de Deus ao Seu povo (Dt 32.15). Em alguns casos, este substantivo é um epíteto ou nome significativo de Deus (Dt 32.4) ou de deuses pagãos:

"Porque a sua rocha [deus] não é como a nossa Rocha [Deus]” (Dt 32.31).

Note que PETRA, CEPHAS ou SÛR, que é ROCHA, também se aplicam a deuses pagãos no sentido de apoio e sustento, mas em contraste com a NOSSA ROCHA, tais "cephas" sequer podem ser comparadas ainda que todas reunidas.

Mas, como bem observa Barclay:
"Devemos começar por assinalar que, além de qualquer outra coisa, a palavra[ROCHA] implica um enorme louvor. E não é uma metáfora estranha ou insólita no pensamento judeu. Os rabinos aplicavam a palavra rocha a Abraão. Tinham um dito:

"Quando o Santo viu a Abraão que estava por erguer-se, disse: 'Descobri uma rocha (petra) sobre a qual posso fundar o mundo'. De maneira que chamou a Abraão rocha (sul), e por isso se diz: 'Olhe a rocha da qual saíste.'"
Abraão era a rocha sobre a qual se fundou a nação e o propósito de Deus. Mais ainda, a palavra rocha (sul) aplica-se uma e outra vez ao próprio Deus. "Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita" (Deuteronômio 32:4). "Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha" (Deuteronômio 32:31). "Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus" (1 Samuel 2:2). "O SENHOR é minha rocha e minha fortaleza, e meu libertador" (2 Samuel 22:2). A mesma frase aparece no Salmo 18:2. "Que rocha há fora de nosso Deus?" (Salmo 18:31). A mesma frase se encontra em 2 Samuel 22:32."((William Barclay, Comentário sobre Mattheus, pagina 568)
Portanto chamar a alguém de rocha, ou rochedo é o maior dos louvores; e também é evidente que nenhum judeu que conhecesse o Antigo Testamento, podia empregar a frase sem que sua mente se voltasse para Deus que era a única rocha autêntica e rochedo inabalável que o defenderia e procuraria sua salvação. Até mesmo Abraão foi chamado de Rocha do qual Israel foi cortado(Isaías 51:1). Portanto os discípulos ao verem Cristo chamando a Pedro de Rocha, souberam muito bem entender que não se tratava de se estar colocando a Pedro em uma posição de governo ou que em Pedro fosse edificada a Igreja, se assim fosse eles não teriam logo em seguida, brigado pela primeira posição entre si (Mat. 23:8,10; Luc. 9:46; 22:24-30).

Então o que quis dizer Jesus quando se dirige a Pedro como Cephas? Evidente Jesus estava reconhecendo em Pedro uma Rocha, não no sentido de ser o fundamento da Igreja, mas em um sentido especial assim como Abraão.

Pedro foi o primeiro homem da Terra que descobriu quem era Jesus. Foi o primeiro homem que efetuou o salto de fé que via em Jesus Cristo o Filho do Deus vivo. Em outras palavras, Pedro foi o primeiro membro da Igreja e, nesse sentido, a Igreja está inicialmente vinculada nele. Aquele que não passava de um simples Petros(pedrinha de fácil locomoção) agora se tornaria Cephas, um rochedo, uma rocha de enorme referência devido a sua confissão de fé no Cristo de Deus. Enquanto que a sua própria confissão é a ROCHA BASAL.

Portanto, literalmente se tomarmos o hebraico como referência aludindo as distinções que o texto grego faz, o que Cristo disse a Pedro foi que ele edificaria sua Igreja sobre a Rocha, a mesma Rocha que é a confissão fundamental de Pedro e fez dele uma Rocha em especial.
Para entendermos isto, basta que analisemos o contexto e cenário onde tais palavras foram pronunciadas.

Pedro e as Rochas de Cesaréia Felipo.

Jesus se dirige a Cesaréia de Filipe que se encontra a uns quarenta e seis quilômetros ao nordeste do mar da Galiléia. Estava fora do território pertencente a Herodes Antipas, governador da Galileia, e dentro da região pertencente a Felipe o tetrarca. A maior parte da população não era judia(daí que ele poderia ter conversado em aramaico) e ali Jesus estaria tranquilo e poderia ensinar aos Doze(também poderia ter conversado em hebraico, já que estava se dirigindo aos 12 apóstolos). Cabe ressaltar que o aramaico em contraste com o hebraico, equivale ao espanhol (língua falada pelas nações ao redor do Brasil), com o português(idioma brasileiro).

Contudo, o lugar onde Jesus fez a pergunta de Mateus 16:3, reveste-se de um profundo interesse. Poucos lugares suscitam mais associações religiosas que a famosa Cesareia de Filipe.

Todo o território estava coberto de templos do antigo culto ao Baal sírio. Em The Land and the Book, Thomson menciona não menos de quatorze desses templos nas proximidades. Tratava-se de um território cujo próprio ar e atmosfera exalavam o fôlego da antiga religião. Era um lugar à sombra dos deuses da antiguidade.

Mas os deuses sírios não eram os únicos venerados no lugar. Perto de Cesaréia de Filipe se erguia uma grande colina, e nela havia uma caverna profunda. Dizia-se que nessa caverna tinha nascido Pan, o grande deus da natureza. Cesaréia de Filipe estava tão identificada com esse deus que seu nome original era Panias. As lendas dos deuses gregos se reuniam ao redor de Cesaréia de Filipe.

Além disso, afirmava-se que nessa caverna era onde surgiam as fontes do Jordão. Josefo escreve: "Trata-se de uma cova muito espaçosa na montanha debaixo da qual há uma grande cavidade na terra. A caverna é abrupta e prodigiosamente profunda e cheia de águas tranquilas. Por cima se eleva uma montanha muito alta e por baixo da caverna brotam as fontes do rio Jordão." A mera ideia de que este fosse o lugar de onde surgia o rio Jordão o acalmaria de toda a história e a lembrança de todo o passado judeu, qualquer judeu devoto e piedoso respiraria ali o ar da antiga fé do judaísmo.

E não era apenas isso que fazia desta cidade uma das mais religiosas do mundo. Em Cesaréia de Filipe havia um grande templo de mármore branco construído à divindade de César. Foi construído por Herodes o Grande. Josefo diz:

"Herodes adornou mais ainda o lugar, que já era muito notável, com a construção deste templo, que dedico a César."

Em outra passagem Josefo descreve a caverna e o templo:

"E quando César entregou a Herodes outra região mais, também construiu nela um templo de mármore branco, junto às fontes do Jordão. O lugar se chama Panio, onde se encontra o topo de uma montanha imensa e junto a ela, abaixo ou a seus pés, abre-se uma caverna. Dentro dela há um precipício espantoso que desce de maneira abrupta a uma profundidade imensa. Contém uma enorme quantidade de água que está parada, e quando alguém faz baixar algo para medir a profundidade, não há corda que alcance."

Assim, pois, Herodes construiu o templo à divindade de César. Mais adiante, Felipe, o filho de Herodes, embelezou e enriqueceu o templo mais ainda e mudou o nome de Panias para Cesaréia – a cidade de César – e acrescentou seu próprio nome – Filipo que significa de Felipe – para diferenciá-la da cidade da Cesaréia que estava sobre as costas do Mediterrâneo. Mais tarde Herodes Agripa chamaria Neronea ao lugar, em honra do imperador Nero.

Barclay ainda nos diz sobre a região:

" Ninguém podia olhar à Cesaréia de Filipe, embora à distância, sem ver esse montão de mármore brilhante e sem pensar no poderio e a divindade de Roma."
(Comentário sobre Matheus, pag 563)

Portanto o contexto histórico e ambiente que temos em Mateus 16 é muito mais dramático. Vemos Jesus, com seus doze apóstolos, homens muito simples a seu lado, todos em uma região cheia de templos dos deuses sírios; em um lugar que lembrava os deuses gregos; em um lugar onde a história de Israel enchia as mentes dos homens, onde o esplendor de mármore branco da casa em que se rendia culto a César dominava a paisagem, e, enquanto a elite ortodoxa de sua época está elaborando um plano mediante o qual pensa eliminá-lo e destruí-lo como um herege perigoso, – dentre todos os lugares possíveis – se ergue este surpreendente carpinteiro e pergunta aos homens quem acreditam que Ele é em contraste contra o pano de fundo das religiões do mundo em toda sua história e seu esplendor.

Nesta hora enquanto que na mente dos discípulos se amontoavam idéias que quase temiam expressar com palavras. Pedro, na firmeza de uma rocha faz seu grande descobrimento e sua grande confissão:

Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Cada um dos três evangelhos tem sua própria versão das palavras de Pedro. Mateus diz: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." Marcos é o mais sucinto de todos (Marcos 8:19): "Tu és o Cristo." Lucas é o mais claro (Lucas 9:20): "O Cristo de Deus."

Pedro estava ali dizendo que Jesus não é um simples Elias, o príncipe dos profetas, tão pouco Jeremias, o profeta auxiliador, muito menos João Batista, o maior de todos os profetas. Pedro estava seguro de que nenhuma descrição meramente humana era adequada para referir-se a Jesus, olhando para tudo ao seu redor, todo aquele contexto, todo aquele cenário, vendo seus companheiros ali confusos e pensativos, Pedro não tem dúvidas, e então confessa, Jesus é O Messias, o Cristo, o Ungido de Deus, o Rei divino de Deus sobre todos os homens.

É daí que então Jesus, se refere a Pedro como rocha, quanto a sua confissão, e que seria aquela Rocha em que ele edificaria a sua Igreja. Enquanto que neste texto, fica claro que Pedro foi uma rocha, um rochedo no que disse, e que aquilo que disse, a quem se refere, é a Rocha sobre o qual a igreja está edificada.

Portanto, a linguagem usada por Cristo em Mateus 16 foi uma linguagem de edificação, e não de governo. É evidente que os escritores do Novo Testamento tomaram a ideia de edificação e a empregaram de diferentes maneiras. Em Efésios 2:20 se afirma que os profetas e os apóstolos são o fundamento da Igreja. Na mesma passagem Jesus Cristo é a principal pedra angular; é o poder e a força que mantém unida a Igreja. Sem Ele todo o edifício se desintegraria e viria abaixo.

Em 1 Pedro 2:4-8 todos os cristãos são pedras vivas que devem ser edificadas dentro da Igreja. Em 1 Coríntios 3:11 Jesus é o único fundamento e ninguém pode estabelecer outro. Ou seja, por trás de todas essas mensagens sempre está a noção de que Jesus Cristo é o verdadeiro fundamento da Igreja e o único poder que mantém unida a Igreja. Quando Jesus disse ao Pedro que sobre esta Rocha edificaria sua igreja, não quis dizer que a igreja dependeria de Pedro ou seria edificada sobre Pedro,

visto que dependia de Cristo e de Deus, a Rocha, e de ninguém mais. O que quis dizer foi que a igreja começava com Pedro a partir de sua confissão e que a sua confissão é a Rocha no qual a Igreja é edificada. Nesse sentido Pedro é o fundamento da igreja e essa é uma honra que nenhum homem pode tirar e todos os que confessam a verdade primeiramente dita por Pedro, tornam-se pedras vivas que se acrescenta ao edifício da Igreja de Cristo.

Isto pode ser entendido a partir da linguagem que Cristo teria usado no verso de Mateus ao mencionar que edificaria a Igreja. O mais provável é que Jesus tenha empregado a palavra "quahal", que é o termo que emprega o Antigo Testamento para referir-se à congregação de Israel, a reunião do povo do Senhor. Então Pedro, é o começo do novo Israel, do novo povo do Senhor, da nova comunhão dos que crerem em Jesus Cristo. Pedro foi o primeiro do grupo de pessoas que creram em Jesus. O que começou com Pedro não foi uma igreja, no sentido humano nem denominacional, mas a reunião de todos aqueles que confessam a Jesus como Cristo e Senhor, o que não se limita exclusivamente a nenhuma igreja em particular.

Portanto foi por isso que Cristo teria chamado Pedro de ROCHA, ou Cephas, mas, quanto a ROCHA BASAL onde a igreja e inclusive Pedro é edificado, evidentemente, tanto em aramaico quanto no grego, há clara distinção, assim como há distinção entre Abraão que é chamado de Rocha de onde vem o povo judeu, e o próprio Deus a Rocha que sustenta Israel.

 Daí temos a comparação, de todas as nações e povos politeístas, com diversas ideias sobre a divindade, Abraão surge como o primeiro a manifestar a fé no único Deus Vivo,  e Pedro a exemplo de Abraão torna-se o primeiro a manifestar sua fé no Cristo, o filho do Deus Vivo em contraste com todo aquele cenário de religiosidade e veneração a diversas divindades antigas. Da mesma forma que por isso Abraão é chamado de Rocha, por sua fé, Cristo chama a Pedro de Rocha pela sua confissão.

A Rocha Basal

Que há distinção entre Pedro como Rocha e a Rocha BASAL onde a Igreja se edifica, vemos nos termos "el-leh" em hebraico ou, "taute" no grego, ambos se traduzem por, "este" ou, "aquele" segundo a Concordância de Strong.

Ou seja, ainda que supostamente Cristo tenha chamado Pedro de Rocha, em seguida ele faz referencia a outra Rocha. A Rocha Basal. Quando diz que "sobre esta pedra".

Isso não é difícil de entender quando percebemos que a Palestina era (e é) famosa por haver ('eben) pedras e (sûr) rochas, em todos os lugares. Ambos serviram aos interesses literários de símile, metáforas, e hipérboles aos escritores antigos. E não seria diferente com Jesus que usa do termo Rocha para expressar duas verdades fundamentais. Uma de que Pedro é uma Rocha em especial devido sua confissão, e que a sua confissão seria a ROCHA do qual toda a igreja seria edificada.

Portanto, não há problema algum em admitir que Cristo tenha chamado Pedro de Cephas, e o tenha chamado de Rocha, mas que fique entendido que em se tratando de Pedro, ele é chamado de Rocha como um elogio a sua atitude daquele momento com a confissão que fez, visto que em outros momentos, ele foi tão fraco quanto qualquer tijolo de barro mal cozido. Como por exemplo, ele negou a Jesus(Luc. 22:57), mentiu ao ser identificado como apóstolo(Luc. 22:58), disfarçou diante da verdade(Luc. 22:60); achava que o Evangelho não deveria ser pregado aos não-judeus/incircuncisos) (Gál. 2:8); e ainda foi repreendido publicamente por Paulo (Gál. 2:11-14).

Cristo se referir a Pedro como Cephas ou, Cefas, também não o torna um acima dos demais, tão pouco chefe da igreja, isto pode ser visto pelo fato de que logo em seguida, os próprios discípulos disputam entre si sobre quem seria o primeiro entre eles. Lucas nos relata (9:46; 22:24-30), que por duas vezes se levantou entre os discípulos o problema de quem entre eles tinha a primazia. Tal problema jamais se levantaria se Cristo tivesse estabelecido a Pedro como superior a eles. Além disso, o primeiro Concílio Cristão, ocorrido em 52 d.C., seria presidido por ele e não por Tiago (Atos 15:13,19) e a Carta Oficial deste Concílio seria assinada por ele e não foi (Atos 15:22,23), sem contar o fato de que como coluna da igreja, Pedro é citado como em segundo lugar e não na primeira posição(Gál. 2:9).

Com essas observações fica evidente que ainda que Cristo tenha chamado Pedro de ROCHA e que ele mesmo fosse a Rocha de edificação, o próprio contexto nos mostra que tais palavras foram dirigidas exclusivamente a Pedro sem nenhuma conotação de governo ou primazia no sentido de chefia. E como bem observa um historiador católico do século 19:
"De todos os Pais que interpretaram estas passagens nos Evangelhos (Mateus 16.18; Joao 21.17), nem um só as aplica aos bispos romanos como sucessores de Pedro... Nenhum deles explicou a rocha ou fundamento sobre a qual Cristo iria construir Sua Igreja como sendo o oficio dado a Pedro para ser transmitido aos seus sucessores, mas eles entendiam que se tratava ou do próprio Cristo, ou da confissão de fé de Pedro em Cristo; com freqüência ambas eram aceitas." 
Ignaz von Dollinger - "The Pope and The Council" (1869) pg. 74.
Sendo assim, as bases em que se sustentam todo o edifício papal em alegar ter recebido de Pedro algum oficio na condição de chefia da igreja recorrendo ao texto de Mateus 16:18, tornam-se meras pedrinhas sem qualquer validade, e todas facilmente esmiuçadas pelo grande MARTELO capaz de esmiuçar até mesmo as rochas mais resistentes,... A PALAVRA De DEUS.

Referências:
- Dicionário Vine. Significado Expositivo e Exegético das Palavras do Antigo e Novo Testamento.
- Dicionário bíblico strong léxico hebraico, aramaico e grego.
- História dos Hebreus, Flavio Josefo.

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